O Recírio é o
último momento do Círio de Nazaré. É quando os paraenses se
despedem de sua padroeira, na segunda-feira, 15 dias após a
grande procissão do segundo domingo de outubro. Nesse dia, a
cidade pára. O sentimento é de saudade. É o fim do encontro
entre Mãe e Filho. De manhã, quando é realizada a procissão,
nada funciona em Belém. O comércio fecha as portas e nas
repartições públicas, o ponto é facultativo. A procissão do
Recírio é triste. As lágrimas na face dos fiéis simbolizam o
adeus a Nossa Senhora.
Nas mãos dos
romeiros, a maioria idosos, os lenços brancos saúdam a
passagem da Virgem pelas principais ruas do centro da cidade.
O Recírio começa após uma missa campal no Centro Arquitetônico
de Nazaré às primeiras hora da manhã. Depois, a imagem da
padroeira dos paraenses é conduzida em um andor pelas ruas ao
redor da Praça Santuário, em frente a Basílica de Nazaré em
direção à Capela do Colégio Gentil Bittencourt, onde ficará
até o próximo Círio. É um trajeto curto, de apenas meia-hora,
mas suficiente para os fiéis prestarem suas últimas homenagens
à Santa. Durante o cortejo, saudações do tipo "Viva Nossa
Senhora de Nazaré; Viva a Mãe dos brasileiros; Viva a Rainha
da Amazônia; Viva a Rainha do Pará; e Viva a Mãe da
humanidade", aliadas à queda de papéis picados lançados das
janelas dos edifícios, dão o tom da festa para Senhora de
Nazaré.
É nesse ritual,
repleto de saudade e emoção - que existe há mais de um século
- que se renovam a devoção e o amor a Virgem
Santíssima.