ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG

 

Quero ser a sua presa,
Enroscar-me em sua teia
Sem reação ou defesa,
Ser manjar em sua mesa,
Deixar sugar o meu sangue
Até secar minha veia...
 

Quero ser seu alimento,
Provisão de cada dia,
Ser o seu pão,  seu sustento,
E depois do acalento,
Ser sua noite de orgia.

Eu quero ser o seu vinho,

O cálice que inebria.

Ser madrugada, seu dia,

Ser seu parceiro no ninho.

 

Quero ser a sinfonia
Mais suave e maviosa,
Ser seu verso e sua prosa
Seu delírio e fantasia...
 

Quero ser a sua rima,
Sua trova e sextilha,
Sua estrada, sua trilha,
Seu fogo ardente, seu clima.

 

AUTOR: ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG

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