© Sarah Rodrigues

 

 

 

É só de pedras este chão maldito.

Poço de mundo neste peito aberto

onde se tem, onde se esconde o grito;

onde me perco sem saber do certo.

 Não há mais lírio e o que se tem mais perto

é a flor caída, o fim do afim bonito;

grama, tesoura, coração deserto;

saudade, dono, verso, voz e mito.

 Eis dos penosos passos, tentativas...

Paralelismos... Vãs alternativas

e é só delírio, só delírio e só!

 Morre o sorriso e resta a palidez,

morre por fim o encanto de uma vez...

Do pó da terra ao pó da terra... Pó!

 

 

 Autoria: Sarah Rodrigues

Belém (PA), 10 de janeiro de 2006.
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