© Alberto Cohen

É de azul que se veste o derradeiro
olhar de quem pressente na partida,
quem sabe, o recomeço de uma vida,
a promessa de um novo amor primeiro.

No último cigarro o olhar cinzento
faz de conta que não está sozinho
e procura seguir, pelo caminho,
o olhar azul, embora em pensamento.

Não mais irão se ver os dois olhares.
Um viverá mentira de mil bares,
outro o prazer de céleres momentos.

E cada vez mais tristes, desbotados,
caricaturas de tempos passados,
tão iguais, solitários e cinzentos.



© Sarah Rodrigues

Flores negras caíram sonolentas
dos olhares, somente um impossível...
Era o tempo, essa força irreversível
a vagar entre cores tão cinzentas.

Entre as célicas " plumas alvacentas",
os dois anjos acordam no invisível
cantar de uma saudade. Indescritível
tão como as vagas líricas que ostentas.

Se tu que entre palavras, só calvário,
o que dizer de mim do meu rosário,
se aplico, em solidão, mesma sentença?

Caricatura triste, amor cinzento,
sepulcro azul de um lírico momento...
Bebendo de mil bares mesma crença.

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