© Soneto Sarah Rodrigues

De minha alma a paixão te foi servida

e o que ficou de nós, dói-me dizer,

mas é saudade a síntese colhida

no orgasmo solitário do meu ser!

 

Que mais no amor eu tenho que sofrer

para que amando o sonho tenha vida?

Traga teus lábios nus, -me a beber

e mate o que nasceu da despedida!

 

Guardei-me na esperança te esperando,

sofrendo pelo bem de estar te amando;

tão certo de que certo a tua vontade!

 

Mas hoje, infelizmente, hei-me ao tormento

calada nessa voz de sentimento

e pregada na cruz desta saudade!

 

© Soneto Alberto Cohen

 

Não percebes, amor, que uma saudade

enquanto existe em nós é porque resta

o gosto que ficou, depois da festa,

nos pares que dançaram de verdade?

 

Se em nosso peito a solidão reclama

que agora somos dois, sendo um somente,

quem sabe, dançaremos, novamente,

o baile privativo de quem ama.

 

Nossa paixão é tanta e tão sincera,

que, após muito sofrer a dor da espera,

desceremos da cruz deste calvário.

 

E no traje de gala da esperança,

abraçados na antiga contradança,

festejaremos novo aniversário.

 

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Créditos: Imagem: Yara Nazaré
Música: Strangers in the night

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