© Sarah Rodrigues

Na praia, debruçada em pensamentos,
no silêncio de um sonho quis do mar
o consolo das ondas e dos ventos
para conter a dor ao te encontrar.
 
Por que então reviver os sentimentos
se o coração procura não chorar?
Por que buscar no amor ressentimentos
se o próprio amor bem sabe perdoar?
 
Por que pérola-sonho, despertar-me?
Tens porventura um riso após o pranto,
e o teu amor, desejo de abraçar-me?
 
Por que pérola-sonho nos convida,
depois de tanto tempo, ao mesmo canto
se em outros desencontros foi-me vida?


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@ Solange Rech

 

Não esperes que o mar te dê a graça

de ser na tua dor litisconsorte.

Pois este monstro oceânico, tão forte,

que abraça areia e pedras, não te abraça.

 

Netuno nele mora e faz trapaça,

provoca terremotos, traz a morte.

Não é provável, pois, que o mar se importe

com esta dor de amor que te desgraça.

 

O amor que se perdeu, amiga Sarah,

talvez fosse mais vício que virtude,

fez-te sofrer, deixou-te ao desabrigo.

 

Se a dor que te consome nunca pára,

pede à Pérola-Sonho que te ajude

curar com novo amor o amor antigo.

 

 

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