© Alberto Cohen

Era uma estrada de flores, repleta,
que eu colhia e plantava em teus cabelos,
fazendo-te de fada para os zelos
de minhas mãos de fauno e de poeta.

Com imensos cuidados te despia,
a descobrir detalhes, novamente,
qual se teu corpo não fosse presente
em todos os poemas que eu escrevia.

E transbordava o amor num céu de grama
destinada por Deus para ser cama
de originais pecados redimidos.

Jardineiros mais puros e inocentes,
plantávamos ali nossas sementes,
num canteiro de flores e gemidos.



© Sarah Rodrigues

Teu lirismo, cativa meu lirismo,
e quando nesta sorte desdobramos,
as flores desses versos, todo abismo
se desfez, pois assim nos encontramos.

Tuas mãos! Tuas mãos de jardineiro,
semeiam na minh’ alma, docemente
o célico sabor do amor primeiro
e trago em minhas mãos mesma semente.

Eis que somos felizes, e, portanto,
como um sopro de amor nos teus ouvidos
a “fada” te devolve o mesmo canto:

-Uma estrada de flores... Meus cuidados.
De um mundo flóreo, plácidos gemidos.
Ah, que originalíssimo pecados!

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