Belém
– menina morena-
cheia de orgulho e de brio.
Bela, formosa, serena
qual lindo sonho de rio.
Teus chãos parecem mais vastos!
-Há no teu peito gemidos-
Teus horizontes mais bastos
de mistérios escondidos...
Ao contemplar noite e dia
teu Ver-o-Peso bonito,
penso que o céu é baía
e a baía,
o infinito!
Apraz-me ver a revolta,
das tardes nesta cidade,
da chuva que vai e volta
num murmurar de saudade...
No ar o teu cheiro cheiroso,
cheiro de Patichouli,
no braço, o abraço gostoso,
na boca, o gosto açaí.
No teu Teatro da Paz,
a platéia se derrama
e aplaude aquele que faz
a boa comédia e o drama.
Toda noite tem seresta,
no cantinho dos artistas,
o Bar do Parque faz festa
para os da terra e os turistas.
O Presídio São José,
hoje Pólo Joalheiro,
foi convento e foi até,
morada de prisioneiro.
Lá, ouvi soluços sem pousos,
gemidos e muito mais...
Umas, querendo os esposos;
outras, querendo seus pais!
Casa das Onze Janelas,
que outrora fora hospital,
hoje parecem mais belas
numa aquarela imortal.
Com aquele porte nobre
que o Guará e a Garça têm,
no Mangal o rico e o pobre
são recebidos tão bem!
No mês de outubro, na data
do Círio de Nazaré,
olho a Berlinda enfeitada
com rosas de amor e fé.
Ante a imagem peregrina,
da Virgem, com devoção,
reza o povo à Mãe divina,
todos num só coração.
A emoção me faz chorar,
me fascina e me detém,
ao ver Maria passar
abençoando Belém!
Terra de moças faceiras,
que nos encanta e seduz.
És Cidade das Mangueiras,
cheia de verde e de luz!
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