Soneto para um resto de esperança
@ Sarah Rodrigues
Do desespero, tenho o manto, a dor
- Este insanável, indesejável manto -
que às fibras d’alma canta o sonhador
e ao mesmo tempo morre no seu canto.
Se desespero, a solidão, portanto,
da-me o batismo pela negra flor,
óleos em conchas do vazio de um pranto
ao desespero de quem quis amor.
O melhor sonho é o que se realiza,
pois o sonhar é o que nos escraviza,
e a escravidão de amor nos faz deserto.
Veste-me a vida de ilusões e acendo
um fogo vivo de esperança, crendo
que lá mais tarde tudo vai dar certo!